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CANTINHO DA SAUDADE

 

Matéria publicada no Jornal Diário da Região de São José do Rio Prêto, em 14 de dezembro de 2.008, feita pelo jornalista Edwellington Villa.

S. J. do Rio Preto - Quarta, 14 de dezembro de 2008

 

Cinco coroas para Túlio Affini no Palmeiras
São José do Rio Preto, 14 de dezembro de 2008
  Arquivo pessoal de Wagner Affini  

JABAQUARA - Túlio jogou na equipe santista em 1943 e 1944

Neste ano, o Palmeiras foi campeão paulista mas capengou no Brasileirão e o máximo que conseguiu foi uma vaga na fase preliminar da Taça Libertadores de 2009, como prêmio de consolação. Em 1951, a história foi outra e a equipe esmeraldina conquistou as cinco coroas - torneio início do Paulistão, Taça Cidade de São Paulo, Paulistão, Torneio Roberto Gomes Pedrosa (equivalente ao Brasileirão de hoje) e a Copa Rio, que os palmeirenses têm como o primeiro mundial interclubes. E todas essas façanhas contaram com a contribuição de Artur Affini, o Túlio, nascido em Cravinhos no dia 17 de junho de 1920, mas radicado em Rio Preto. Túlio ganhou o apelido dentro da família e aos 4 anos de idade mudou-se para Rio Preto. Começou a jogar como alfo-direito (lateral) no juvenil do Turinense, depois foi para o Brasileiro. Em 1940, já como centromédio (volante), foi campeão regional pelo Palestra e no ano seguinte transferiu-se para a Favorita, de Barretos. Atuou ainda na Ponte Preta, de Campinas, antes de chegar ao Jabaquara, de Santos, que na época integrava a Divisão Especial (Paulistão). No Jabuca, ele permaneceu até o final de 1944. “Palmeirense fanático, o alfaiate Orlando Rosseli, de Rio Preto, mandou uma carta de recomendação aos dirigentes palestrinos, que se interessaram e pagaram 70 mil Réis pelo passe dele”, conta Eteocles Affini, o Riri, irmão de Túlio. “O Filpo Nuñez (treinador) chamou Túlio e lhe disse: ‘quita la pelota’, para que ele aprendesse a roubar a bola do adversário”, acrescenta.

Túlio assimilou bem os ensinamentos do mestre e se destacou neste quesito. Um jogo inesquecível ocorreu em 1945, no empate de 1 a 1 com o São Paulo. Ele marcou, de cabeça, o gol palmeirense e depois fez um contra para o Tricolor. O volante foi campeão da Taça Cidade de São Paulo e do Paulistão de 1947, ano em que foi convocado pela Seleção Brasileira, mas não entrou em nenhuma partida da Copa Rocca. Também atuou na seleção paulista. Em 1950, o Palmeiras o emprestou ao Nacional, da Capital. Retornando, ajudou o clube a conquistar as cinco coroas. A mais emocionante delas a Copa Rio (o Mundial, que o Alviverde reivindica até hoje junto à Fifa). Na Chave Paulista estavam Palmeiras, Juventus da Itália, Estrela Vermelha da Iugoslávia e Olympique de Nice da França. Vasco, Nacional do Uruguai, Áustria Viena e Sporting de Portugal integraram o Grupo Carioca. Túlio não foi escalado na primeira fase nas vitórias contra o Olympique (3 a 0) e Estrela Vermelha (2 a 1) e na vexatória derrota por 4 a 0 para a Juventus. Como segundo colocado da chave, na semifinal o Palmeiras enfrentou o Vasco, líder do outro grupo, em dois jogos no Maracanã. No primeiro, o Verdão surpreendeu e fez 2 a 1. Túlio entrou no transcurso da partida no lugar de Waldemar Fiúme. No segundo duelo, com Túlio como titular, houve empate sem gols.

Na outra semifinal, a Juventus eliminou o Áustria Viena (3 x 3 e 3 x 1, respectivamente). Decisão entre Palmeiras e Juventus em uma série melhor de dois confrontos, ambos no Maracanã. Túlio foi titular na vitória de 1 a 0, gol de Rodrigues, na quarta-feira 18 de julho de 1951, e também no empate de 2 a 2, no domingo 22 de julho, resultado que garantiu o título ao Alviverde. Entre 1945 e 1952, Túlio disputou 224 jogos pelo Verdão, com 123 vitórias, 51 empates e 50 derrotas, marcando cinco gols. Túlio deixou o Palmeiras em maio de 1953, transferindo-se para o XV de Jaú. “Jogou seis meses no XV sem ganhar um tostão. Dois anos depois um advogado entrou na Justiça e o Túlio conseguiu receber”, descreve Eteocles Affini. Em janeiro de 1954, Túlio veio para o América, participando de poucos jogos amistosos. Pendurou a chuteira e tentou a sorte como técnico, porém não vingou. “Ele não tinha vocação para ser treinador”, comenta Eteocles. Começou a trabalhar como representante comercial do laboratório industrial francês chamado Steg. “Nesta época, inclusive, ele recusou uma proposta da Ferroviária”, afirma o irmão. Túlio era casado com Nelza Affini e morreu em maio de 1989, vítima de infarto, quando se recuperava de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A mulher dele faleceu em 2001. Wagner, filho do casal, mora em Araraquara. A outra filha, Neusa, que era médica, morreu vítima de câncer em 2002.


Arquivo pessoal de Wagner Affini
QUANDO SURGE O ALVIVERDE IMPONENTE - Com o estádio do Pacaembu, em São Paulo, completamente lotado, a equipe do Palmeiras entra no gramado para mais uma batalha na temporada de 1945, durante o Campeonato Paulista da Divisão Especial. Na foto, aparecem a partir da esquerda: Oberdan Cattani, Manduco, Caieira, Mantovani, Waldemar Fiúme, Og Moreira, Vllladoniga e Túlio Affini


Arquivo pessoal de Wagner Affini
FORMAÇÃO PALESTRINA - Entre 1945 e 1952, o volante Túlio Affini, rio-pretense de coração, disputou 224 jogos pelo Palmeiras, com 123 vitórias, 51 empates e 50 derrotas. Neste período, ele marcou cinco gols. Em pé, a partir da esquerda: Og Moreira, Caieira, Oberdan Cattani, Túlio Affini, Manduco e Gengo; agachados, na mesma ordem: Lula, Waldemar Fiúme, Neno, Canhotinho e Altevir


Foto cedida pelo Arquivo Público Municipal de Rio Preto
PALESTRA DE RIO PRETO - Time do início da década de 1940. De pé, a partir da esquerda: não identificado, Túlio Affini, Otávio Baglioni, Salinzinho, Maquininha, Birigui e Gradim; agachados, na mesma ordem: Salinzão, Miguelzinho, Arnaldo Affini, não identificado, Zé Maria, Bonge e Paulo Negrinho


Arquivo pessoal de Wagner Affini
SELEÇÃO PAULISTA - Em alta pelas excelentes atuações no Palmeiras, que havia conquistado os títulos de campeão paulista e da Taça Cidade de São Paulo, ambos em 1947, Túlio Affini foi convocado para disputar alguns jogos pela seleção estadual. Da esquerda para a direita, a foto mostra Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, o zagueiro Sapólio, que jogou no Ypiranga da Capital, Túlio Affini e Pascoal, da Portuguesa Santista


Arquivo pessoal de Wagner Affini
CAMPEÕES - Equipe do Palmeiras que faturou o título paulista de 1947. Da esquerda para a direita: Oberdan Cattani, Túlio Affini, Turcão, Caieira, Waldemar Fiúme, Zezé Procópio, Oswaldinho, Lula, Arturzinho, Lima e Canhotinho




FICHAS TÉCNICAS::

São Paulo - 1
Gijo; Piolim e Virgílio; Rui, Noronha e Bauer; Barrios, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Teixeirinha. Técnico: Joreca.

Palmeiras - 1
Oberdan Cattani; Caieira e Junqueira; Zezé Procópio, Túlio Affini e Waldemar Fiúme; Gonzales, Villadoniga, Oswaldinho, Lima e Canhotinho. Técnico: Armando Del Debbio.

Gols: Túlio aos 29 e Túlio (contra) aos 41 minutos do primeiro tempo. Árbitro: João Etzel. Renda: Cr$ 274.800,00.
Público: não disponível. Local: Pacaembu, em São Paulo, domingo, 23 de setembro de 1945, pelo segundo turno do Paulistão, quando Túlio marcou um gol para cada lado.

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Jabaquara - 2
Talladas; Ulisses e Issame; Souza, Túlio Affini e Santana; Moacir, Bemba, Bahia, Leonardo e Tom Mix. Técnico: não disponível.

Corinthians - 1
Bino; Domingos da Guia e Begliomini; Jango, Brandão e General; Agostinho, Servílio, Geraldino, Nandinho e Milani. Técnico: Mário Miranda Rosa.

Gols: Milani (pênalti) aos 39 minutos do primeiro tempo. Bahia aos 17 e aos 44 minutos do segundo tempo. Árbitro: Rodolfo Wenzel. Renda: Cr$ 27.890,00. Público: não disponível. Local: estádio Ulrico Mursa, em Santos, domingo, 9 de abril de 1944, pelo primeiro turno do Paulistão.

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Palmeiras - 2
Fábio; Salvador e Juvenal; Túlio Affini, Luiz Villa e Dema; Lima, Ponce de León (Canhotinho), Liminha, Jair Rosa Pinto e Rodrigues. Técnico: Ventura Cambon.

Juventus da Itália - 2
Viola; Bertucceli e Manente; Mari, Parolla e Bizzoto; Muccineli, Karl Hansen, Boniperti, Johan Hansen e Praest. Técnico: Carver.

Gols: Praest aos 18 minutos do primeiro tempo. Rodrigues aos 2, Karl Hansen aos 18 e Liminha aos 32 minutos do segundo tempo. Árbitro: Gabriel Tordjan (França). Renda: Cr$ 2.783.190,00. Público: 120 mil torcedores. Local: Maracanã, no Rio de Janeiro, domingo, 22 de julho de 1951 na final da Copa Rio.

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Rio Preto - 0
Pacau; Xatara e Prates; Renê, Espanador e Odilon; Ataíde, Natalino, Maccagnan, Ceci e Canhotinho. Técnico: Odilon.

América - 1
Garito; Aguinaldo e Ferraciolli; Tuca, Aldo e Gamba; Haroldo, Vicente, Dozinho, Jonas e Osmar. Técnico: Túlio Affini.

Gols: Osmar (tempo não obtido). Árbitro: não obtido. Renda e público: não disponíveis. Local: estádio Victor Brito Bastos, em Rio Preto, no domingo, dia 10 de janeiro de 1954, pelo primeiro turno da Série Amarela do Campeonato Paulista da Segunda Divisão de 1953, quando Túlio tentou a sorte como treinador.
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